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sábado, 27 de abril de 2013


"- Velho homem. Li os teus livros, fizeram-me bem, conheci muita coisa que antes não poderia imaginar, ensinaste-me a ver as gentes e o mundo. Mas tenho vontade de conhecer as coisas, quero viajar, ver o mundo que está nos teus livros com os meus próprios olhos.
(…)
- (…) Mas vai, faz o que o teu coração pede, vai ver o mundo. Um dia hás-de de te fartar dele, e hás-de voltar, eu sei.
- Fartar-me do mundo? Com tanta coisa a aprender de novo, a receber e a comunicar?
- Vais ver, meu filho, que o mundo fora da ilha por vezes é um mundo de muitas ilhas e de pessoas tristes onde para ti que és um homem do mar, será difícil de viver.  Lembrar-te-ás com intensa nostalgia da pesca eu fazias, esta casa de tambores, a tua casa de tambores, as gentes da ilhas estão irremediavelmente pegadas às coisas mais insignificantes, a um mundo que construíram na infância, mas que já não é o mesmo mundo."

Vasco Martins excerto de A Verdadeira Dimensão

quinta-feira, 15 de março de 2012

Excerto de A Verdadeira Dimensão

"- Sabes, Manuel, a morte não me faz medo. Há muito aprendi a viver lado a lado com ela, as noites são solitariamente longas. A angústia de existir já não me atormenta, porque a angústia de existir é sobretudo o medo incomensurável da morte. Mas ao envelhecermos a natureza trabalha o pensamento e as células para aceitarmos as coisas tal como elas são. O homem tem medo da morte desde o dia em que acreditou que poderia haver outro mundo, e no fundo sabe que esse mundo não existe, nunca existiu."


Vasco Martins